22 de janeiro de 2014
De forma estranha.
Levantei-me da cama e fui até à janela, olhei lá para fora e parecia...... Parecia que.... estava sol.
Mas algo estava diferente, não me perguntei o quê, apenas deixei estar... Mais tarde saí de casa achando que estava preparado para o mundo lá fora, de facto não estava. Estava vento e o vento altera os meus passos. Pus-me no centro da cidade e ao vento juntou-se o barulho normal de um centro de cidade, carros, pessoas apressadas, obras.
Se ouvi isso tudo? nada. Já te sentiste como se tivessem disparado um tiro mesmo ao teu lado e os teus ouvidos ficassem tapados? apenas ouvindo aquele zumbido,como fosse uma pessoa ligada a uma máquina, num hospital, um "beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeep". Os carros passavam, semáforos mudavam de cor a cada 3,4 minutos, as pessoas apressadas, autocarros cheios mas havia algo diferente. Cada vez vinha com mais força e eu cada vez mais me fechava em mim próprio.
Eu ouvia tudo e não ouvia nada, caminhava como um solitário mas com destino, destino de onde comecei.."Casa". Caminhava como tudo para mim fosse desconhecido, as pessoas passavam ao meu lado e eu olhava de forma diferente e aí eu fui descendo a rua...
Eu sabia perfeitamente onde estava naquele momento, estava a poucos metros onde um dia, alguém para mim foi um "tesouro", por isso mantive-me em silêncio e caminhei.. Ao mesmo tempo lembrei-me de pequenas, grandes coisas, até que parei mesmo ao lado daquele lugar, bastava passar para o outro lado da estrada e entrava,mas sozinho.
Parei, o semáforo estava vermelho e disse "vai ficar verde, vai ficar verde para avançar na minha vida".
Ficou verde e dei o primeiro passo, pus os pés na estrada, não olhei para os lados mas todo o meu silêncio foi interrompido por um som de um avião, levantei a cabeça..
"Mas onde está o avião?"
Olhei para ele e tinha chegado às portas da estação do metro, olhei para trás e olhei sem respirar e disse baixinho:
"Onde é que eu vou?"
"Onde é que tu estás?"
