7 de março de 2013

When i was your men


Intromete-se o antes ao presente, sem qualquer autorização. Entra e destabiliza de tal forma que destrói tudo aquilo que foi reconstruído. Agarrar cada pedra, cada vidro, pedaços que caiem das mãos depois de um trabalho que foi tão árduo, que demorou tanto tempo a ser finalizado. Era previsível que isto viesse a acontecer, o medo continuava lá, apesar de cada dia que passava o ritmo era recuperado, dias de sol e até novos sorrisos.


Levou-se meses para a reconstrução, ao minimo pormenor, sem qualquer ajuda, dependendo dos próprios erros, condições, passando por dias muito conturbados mas sempre com aquela frase presente "depois da tempestade vem a bonança", sempre acreditando que um dia tudo iria melhorar.Foram precisos muitos passeios, milhares de horas a tentar descobrir um caminho para conseguir sair daquela confusão. Dias passavam e a vontade de conseguir e caminhar para a frente era maior.


O pior já tinha passado, ao menos ele pensava assim... Todo o tormento, todo aquele pensamento negativo tinha ido embora, os dias foram passando, a situação tornou-se estável, segura, podia-se afirmar isso mesmo. Mas no fundo, aquele que ele não venceu, um medo de escorregar de novo, de dizer que não consegue mais, que não aguenta, um medo...

Hoje ele partiu da estação, deixou aquele local em definitivo, tomou a decisão com tal consciência que lhe permitiu subir à carruagem e deixar tudo o que construiu para trás, foi de tal forma difícil deixar o lugar onde sorriu de forma tão verdadeira que no fim deixou cair uma lágrima antes de entrar e já dentro da carruagem, encostado ao vidro, gritava o nome dela, para que ela voltasse mas o comboio seguiu.



(Talvez continue)